O que são cloratos e percloratos?
Os cloratos e percloratos são sais inorgânicos provenientes do ácido clórico e do ácido perclórico, respetivamente. Ambos apresentam forte capacidade oxidante e podem contaminar alimentos por diferentes vias.
O clorato é frequentemente gerado como subproduto quando se utilizam agentes clorados na desinfeção de água ou superfícies, passando facilmente para alimentos durante o processamento.
Já o perclorato pode ocorrer naturalmente no ambiente, em águas, solos e sedimentos, ou ser introduzido por atividades humanas, como fertilizantes, água de rega ou processos industriais.
Apesar de serem quimicamente relacionados, a forma como chegam aos alimentos, bem como os riscos associados, não são totalmente idênticos. Por isso, a sua monitorização exige métodos analíticos específicos e de elevada sensibilidade.
Porque é importante analisá-los nos alimentos?
A presença de cloratos e percloratos em alimentos representa um risco relevante para a segurança alimentar:
- O clorato foi classificado como resíduo de produtos fitofarmacêuticos, mas o seu uso está proibido na União Europeia; a sua deteção é, por isso, fundamental.
- O perclorato, embora não autorizado como pesticida, pode surgir por contaminação ambiental, água de rega, fertilizantes ou processos de desinfeção.
Num contexto regulatório cada vez mais exigente, é essencial dispor de métodos robustos capazes de detetar ambos os compostos a níveis muito baixos.
Porque utilizar LC-MS/MS para analisar cloratos e percloratos?
A determinação de compostos altamente polares ou iónicos nem sempre é possível com técnicas cromatográficas convencionais. A cromatografia líquida acoplada à espetrometria de massas em tandem (LC-MS/MS) tornou-se o método de referência para analisar cloratos e percloratos, graças à sua elevada sensibilidade, seletividade e fiabilidade.
Um dos procedimentos mais utilizados é uma versão adaptada do método QuPPe (Quick Polar Pesticides), especialmente desenvolvido para pesticidas polares e contaminantes de difícil deteção. As etapas típicas incluem:
1. Extração dos analitos: Utilizando misturas de água, metanol acidificado e solventes orgânicos, adequadas à percentagem de água de cada matriz alimentar.
2. Purificação do extrato: Com técnicas de “cleanup”, como partição líquido-líquido ou diluições controladas, para reduzir interferências da matriz.
3. Separação cromatográfica: Recorrendo a colunas especializadas, como fases HILIC, capazes de reter e separar eficazmente compostos altamente polares.
4. Quantificação por MS/MS: Com padrões isotopicamente marcados (por exemplo, ^18O) para corrigir efeitos de matriz e garantir exatidão nos resultados.
Importância regulatória e de saúde pública
Na União Europeia, a presença de cloratos e percloratos é acompanhada segundo o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), ou seja, deve manter-se tão baixa quanto possível.
Para populações vulneráveis, bebés, crianças e grávidas, são aplicados limites ainda mais rigorosos, especialmente nos produtos alimentares destinados ao consumo infantil.
A atualização contínua das avaliações de risco por parte da EFSA reforça a necessidade de monitorização permanente destes contaminantes, garantindo alimentos mais seguros e proteção da saúde pública.
A LC-MS/MS como ferramenta essencial para garantir a segurança alimentar
A deteção de cloratos e percloratos em alimentos é crucial para proteger o consumidor e cumprir a legislação europeia. A LC-MS/MS, particularmente através de métodos otimizados como o QuPPe, demonstra-se uma técnica robusta, precisa e totalmente adaptada às exigências analíticas modernas.
Para laboratórios, produtores e empresas agroalimentares, investir nestes métodos permite assegurar conformidade regulatória, reforçar a qualidade dos produtos e aumentar a confiança do consumidor.





